Vereadores de Paranatinga ouvem “não” da SINFRA e saem decepcionados da reunião

As primeiras manifestações regionalizadas sobre a situação das rodovias estaduais que cortam o Sul e o Centro Leste de Mato Grosso começaram a pouco mais de um mês. O movimento que une as Câmaras Municipais de Vereadores de Primavera do Leste, Poxoréu, Santo Antonio do Leste, Paranatinga, Gaúcha do Norte e Rondonópolis rendeu a produção de um documentário, que foi entregue nos gabinetes dos deputados federais e senadores. Além disso, o material foi exibido no último Encontro Nacional de Legislativos Municipais, realizado em Brasília na primeira semana de março pela UVB, União dos Vereadores do Brasil.

Na manhã dessa sexta-feira, representantes dos seis municípios envolvidos na mobilização, compareceram no auditório da SINFRA, em reunião agendada no início da semana. Cerca de 20 parlamentares marcaram presença e questionaram o secretário Arnaldo Alves sobre o abandono que vivem as MTs 130, 129 e 02, que ligam os municípios entre si e servem de via de escoamento da safra da região que representa um grande pólo agrícola e industrial.

O secretario de Infraestrutura, o deputado federal Wellington Fagundes, o deputado estadual Nininho e o secretario adjunto de transportes, Alaor de Paula, ouviram do presidente da Câmara de Primavera Felipe Nogueira, líder do Movimento Pró Estradas,  um breve relato da atual situação. Cada um dos municípios teve voz através de seus representantes, para expor a realidade em que estudantes, produtores e população em geral vivem por causa das estradas.

Wellington Fagundes foi taxativo em informar que apesar do envolvimento dele nas decisões e nas cobranças, hoje o Brasil é o país da burocracia e que dificilmente se consegue mostrar o Mato Grosso e suas necessidades. “Nosso Estado é o maior produtor agropecuário do Brasil, tem uma população relativamente pequena e não tem nada de logística. É difícil convencer de que precisamos de infraestrutura para continuar produzindo e exportando e gerando riquezas para o país”.

Arnaldo Alves, titular da pasta, fez um relato dos projetos da Secretaria e não deu muita esperança nem apontou grandes investimentos para este ano. “Mato Grosso tem 30 mil quilômetros de rodovias, desses somente cinco mil são pavimentados. Não temos nenhum projeto de asfaltamento de vias de terra, por enquanto. Temos sim grandes obras a serem feitas quando os recursos do FETAB dados como garantia para mostrar estrutura para receber jogos da Copa do Mundo, foram oferecidos ao Governo Federal voltarem para o Estado. O trecho entre Primavera e Paranatinga deve receber obras de tapa buraco, já que existe o projeto para privatização dessa parte da MT 130. Temos frentes de trabalhos com as Patrulhas do Estado, que podem até ajudar a dar uma recuperada nas MTs 129 e 020, que ligam Gaúcha do Norte a região Sul. Enfim, precisamos esperar os recursos de cerca de R$ 30 milhões que podem ser liberados este ano, aí sim a MT 020 será prioridade”.

O deputado Nininho contestou as Patrulhas que o Estado mantém para manutenção das MTs, ele disse que o rendimento dessas unidades não alcança nem 30% do que deveriam atingir. O deputado já solicitou ao governados Silval Barbosa uma distribuição melhor desse serviço e o deslocamento para áreas mais críticas.

Com a exposição da posição oficial sobre o assunto, chegou a vez dos vereadores mobilizados mostrarem o que realmente falta em seus municípios. Ari Baltazar Langer, de Gaúcha do Norte disse que não imaginava que irai sair da reunião mais desolado do que entrou. “Parece mentira que nossas autoridades não percebem a necessidade que temos. Nosso município produziu nessa safra 410 mil toneladas de soja e tem estoque nos armazéns, ninguém tem coragem de colocar o caminhão nessa estrada. Lamentamos também que empresas multinacionais chegam, em Gaúcha, gostam da qualidade e da quantidade de nossa produção e vão embora, dizendo que sem estrada não dá pra investir. É uma falta de clareza dos órgãos competentes, de verem que estrada é prioridade para garantir o aumento constante da produção”, desabafou o vereador.

Já o presidente da Câmara de Paranatinga, João Bosco dos Santos, ressaltou que a operação tapa buraco é paliativa. “Temos tantos problemas que a solução seria refazer essa parte da MT 130.

Mas não pensamos só em Paranatinga, nosso frigorífico recebe animais para abate de toda a região Centro Leste, além de que as MTs 129 e 020 estão intransitáveis e isso é deprimente”.

Rondonópolis, representada pelos vereadores Fulô, Adonias Fernandes e Ollimpio Alvis, questionou sobre a MT 270, que corta a cidade e liga à Guiratinga. Buracos, falta de manutenção na área urbana e perigo foram os assuntos levados ao secretário.

Outros vereadores se manifestaram durante a reunião com o titular da SINFRA, e a revolta de quem retorna para sua cidade sem uma resposta, uma data ou qualquer garantia de que essas melhorias vão acontecer, foi resumida na voz do idealizador do Movimento Pró Estradas Felipe Nogueira. “Levamos o material em vídeo para Brasília e mostramos durante o Encontro Nacional de Vereadores, todos ficaram impressionados com a situação das estradas que levam a produção até a indústria ou aos pontos de embarque para exportação. Agora depois dessa reunião saímos praticamente de mãos vazias, com explicações e posicionamentos incertos dos que deveriam ver e resolver os problemas. O que valeu desse movimento todo é que agora somos um grupo de vereadores unidos, prontos para buscar, cobrar e até pressionar o governo do Estado a promover essas melhorias”, contestou Felipe Nogueira, que também faz parte da diretoria da UVB.

Segundo Felipe, o próximo passo é uma audiência com o governador Silval, para entregar o vídeo que mostra a situação de toda a região e tentar sensibilizar para uma atitude de respeito ao produtor rural, ao estudante, ao turista e a todos os cidadãos que usam essas rodovias.

Paranatinga News com Redaçao Agora MT

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